se eu disser que não sou comum,
você vai achar normal?
Dormi bem, acordei bem, estava um dia lindo.
Pensei até em sair de casa.
Mas não aconteceu nada… E tudo desabou.
Claro que tem todo esse negócio da minha mãe e eu sou egoísta o suficiente pra ficar triste por mim mesma no momento e escrever às vezes ajuda, então vamos a tal:
Já houve um momento da sua vida em que você só quis fugir de tudo?
Eu quis fazer as malas, e tentar de novo minha vida.
Na real, queria apagar tudo, resetar, voltar pro início.
Por outro lado eu sei que o que eu sofri é o que me tornou quem eu sou: os ex-namorados fdps, o bullying de família e “”“amigos”“”, os gostos diferentes, o convívio com um irmão, a solidão na escola.
Sem passar por tudo isso, talvez eu fosse uma pattyzinha fútil (ó a redundância!), chata, fresca, que não dá valor pro que tem e tudo mais que eu sempre digo.
Mas eu até gostaria, às vezes. Ser mais rasa, quem sabe mais feliz. Ou não…
Então, por um momento e mais uma vez, lá estava eu, do sofá, querendo recomeçar tudo.
E eu sou uma mistura de impulsividade mas querer raízes, então imaginem a confusão na minha cabeça: quero fazer as malas, mas quero uma garantia a que(m) correr. Fazer as malas, ir pra outra cidade, trabalhar com algo que goste — pensei até em Campos do Jordão e me arriscar em Gastronomia. Sempre digo que, se alguém aceitasse ser meu companheiro de aventuras toddynho eu já teria ido.
Mas ao mesmo tempo pode ser apenas uma desculpa pra eu não sair do lugar.
Assim como dizer que eu, no momento, não posso mudar nada. Seria necessário dinheiro e uma boa dose de irresponsabilidade, coisas que não tenho.
E é esse o sentimento que me faz querer sair da situação, nem que seja me jogando da janela, literalmente.
Quero largar tudo. Iso pode incluir amigos que eu acho que não me dão atenção. O mesmo para a família. O mesmo para a faculdade.
Eu não me encaixo em tudo isso que estou fazendo parte.
Meu medo é de nunca me encaixar em algo.
E viver o resto da vida assim, como sempre fiz: olhando para os lados, procurando o que pode valer mais a pena.
Não é por nada, não.
Não aconteceu algo novo, nada pra eu ficar revoltada de novo, é sem estopim mesmo.
Estive penando, e eu poderia não ter raiva das pessoas se elas, ao menos uma vez, decidissem fazer do jeito certo.
Meu primeiro namorado não me queria mais, falasse.
Não me enrolasse, não saísse comigo, não dissesse ainda querer me ver e me amar.
Ele sequer me contou quando começou a namorar. Falasse logo: olha, não é isso que quero, estou interessado em outra pessoa, etc. Custava?
Meu segundo, a mesma coisa.
Veio dizer que não gostava mais de mim, que tinha algo errado, pra só depois de muita insistência dizer que queria voltar com a ex e que a amava (COF COF COF).
De qualquer jeito: falasse, logo. Difícil?
Então um rolinho.
Enrolou, enrolou, enrolou. Me disse várias coisas, conversamos muito, chegou a dizer que me amava (claro que eu não acreditei)…
Aí sumiu, eu achando que o problema fosse eu — como achava com os outros e como na verdade nunca é — quando resolveu voltar pra ex também.
Tinha problema em esclarecer, falar a verdade?
Sabe, depois de tudo isso, essa gente mentirosa ou que esconde, eu sei muito bem de uma coisa: não suporto gente sem coragem.
Não mesmo.
Não importa se é pra se proteger ou pra me proteger (ahãm, sei), fala a verdade, porra, é o mínimo a se fazer.
Tenha fucking culhões!
Então, eu tava marcando com um amigo pra assistir O Corvo e já achei que tinha miado, aí ele mandou mensagem (todos meus amigos são uns fofos ok).
Voltei pra casa, estava praticamente pronta e minha mãe chegou do médico, arrasada… Tentando resumir: há um bom tempo, a ginecologista do posto de saúde sentiu um nódulo no seio dela. Mandou uma pilha de exames que, dependendo do SUS, demoraram a ficar prontos, claro. Questionando a demora, foi avisada que “se encontrassem maligno, ligariam avisando” e se tranquilizou. Hoje levou os exames no mastologista, agora com convênio médico. Ele mandou refazer todos os exames, e, além dos passados serem inconclusivos, o nódulo tem que ser retirado (benigno ou não).
Então ela mal queria comer, estava chorando, continua arrasada e eu mal sei lidar com isso. Desmarquei o cinema e ela ficou chateada até de eu fazer isso por ela. Eu não ligo, poxa, é o certo. Meu pai chegou, só que ele não é dos mais sensíveis… Acho que ela chorou mais, mesmo com ele dizendo que não encontrariam nada e tal (só que, como eu disse, ele não é delicado; e quem vê isso não pensa que ele já até chorou com minha mãe doente antes). Então eu digo a mesma coisa: não vai ser nada, eu sei que não. É só mais um desses sustinhos que a gente passa pra ver a força que tem :)
Já nem lembro como era isso, faz anos; mas ouvi que é bom.
…o que você quer”
Quero me formar e quero fazer outros cursos; de início, gastronomia.
Quero, talvez, uma cafeteria ou um restaurante. Quem sabe, fazer eventos.
Quero uma vida confortável.
Quero prazer, quero não me acabar com o trânsito.
Quero um bom horário pra encontrar alguém, formar uma família e não ser negligente — com eles e comigo.
…o que você gostaria”
Eu gostaria de trabalhar com muita coisa:
Essencialmente arte em qualquer sentido, ou agradar a outras pessoas.
Gstaria de ser designer de interiores ou de objetos, gostaria de apenas atender clientes a esse respeito.
Gostaria de trabalhar com moda, gostaria de ser fotografada ou fotografar, gostaria de maquiar e arrumar.
Gostaria de escrever, gostaria de aconselhar.
Gostaria de tocar e cantar, gostaria de esculpir e pintar.
Gostaria de cozinhar, gostaria de ser barista, gostaria de confeitar e decorar, gostaria de servir.
…no que você é boa”
Aí… aí complicou :/
Por um momentinho do meu dia eu pensei nisso.
O que houve com o cara que eu conheci?
Que eu achei que gostava, que girou meu mundo, que fez eu me esforçar e quem sabe até amar?
Ele me contou que colocava o mangá que eu lia propositalmente na sua mesa, com esperança que eu reparasse. Acho que era Negima, que eu pegava emprestado de uma amiga.
Aos poucos entrou no meu grupo, a partir de outros que tinham um pouquinho mais de coragem de conversar comigo. Até hoje nem sei como comecei a conversar com esses amigos — porque agora me parece tão difícil fazer amizades.
O afeto foi crescendo.
Lembro de um dia que briguei com o namorado da época e fui pra aula, chorando. Tá, foram vários dias que aconteceu isso. Mas nesse, em especial, sentei ao lado dele encostando em seu ombro e chorei a aula toda, quieta, enquanto ele resolveu acariciar levemente meu braço.
Ele gosta de carinho leve. Eu gosto de todo jeito.
Lembro uma outra vez, cada um já namorando. Levou sua namorada pra aula, que foi embora no intervalo. Respeitei, obviamente, até fiquei com medo de fazer algo (olhar, brincar, não sei) e ela achar ruim. De volta do intervalo, ele veio dizer como meu cabelo estava bonito…
Também lembro da festinha de aniversário dele e de um amigo que faz próximo. Fiz o bolo. Ganhei o primeiro pedaço. E enquanto eu estava sentada num banquinho sem querer nada, ele apareceu ao lado e me abraçou, ainda em pé. E eu super me sentia errada com aquilo, por cada um namorar e tal.
Tá, eu sei que não era nada, mas não impede de eu me culpar, ok!
Lembro dele terminar com a namorada pra ficarmos juntos, lembro dele tentar me beijar umas duas vezes e eu recusar.
(Nossa, seria muita teoria da conspiração ele ter feito o que fez comigo por vingança de eu ter recusado antes? Hum…)
Lembro dele tentar retomar o contato por me ver triste no fotolog, querer me comer estar preocupado.
Lembro da coragem que ele precisou entre os goles do frapuccino pra me pedir em namoro, de logo querer alianças, de me apresentar pra amigos, família e tudo mais. Acordar cedo pra passar o dia na faculdade comigo.
Então, o que houve?
A verdade é que o menino errado, apesar de meigo, estava lá o tempo todo, após eu descobrir suas mancadas. Um lixo disfarçado de fofo, que sempre esteve lá… mas que eu preferi não ver.